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24 de ago. de 2007

Na UFSC também...

Manifestantes cercaram entrada da reitoria com barricada, mas
negam que o acesso esteja impedido


Em outras oportunidades, noticiei neste blog a ocupação de reitorias de outras universidades. Nesta semana, no entanto, o fato aconteceu a pouco metros de minha residência, no campus da UFSC. Também houve protestos em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Bahia e Ceará - mas somente nesse último também ocorreu ocupação da reitoria.

A isenção jornalística é desafiada quando a notícia acontece tão próxima e afeta diretamente a quem escreve (no meu caso, sendo eu um estudante da UFSC). Principalmente quando atos desse tipo aumentam o clima de greve na Universidade.

Motivos os estudantes têm. A falta de professores é o primeiro ponto da pauta de reinvidicações. No mais, exigências clássicas, como aumento no valor das bolsas, melhorias no Restaurante Universitário e na oferta de moradia estudantil. Além dessas, pautas que parecem copiadas das reivindicações de professores e servidores: contra a transformação do HU em fundação de direito privado, auditoria nas Fundações de Pesquisa, oposição ao REUNI (projeto do Governo Federal que pretende mudar o funcionamento das Universidades Federais), entre outras.

A revolta dos manifestantes poderá ser ainda maior quando tomarem conhecimento do projeto de lei que cria vagas para professores, mas só para as unidades de ensino criadas depois de 2005.

Já as demais? Bem. A essas, por enquanto, só cabe esperar a mudança do número de alunos por professor -outra medida do REUNI. O governo quer que dos atuais 9 por 1, a proporção seja 18 por 1.

21 de jun. de 2007

Antigas e novas bandeiras

Causas não faltam ao movimento estudantil. Algumas já são velhas reivindicações, como mais verbas para Educação e qualidade de ensino, mudança na política econômica e defesa de causas sociais. Outras foram substituídas: em vez de centrar forças em causas de interesse geral, como liberdades democráticas, estende seu foco a causas específicas, como questões de gênero e direito ao transporte público.

Mas também surgiram novas bandeiras em sintonia com as mudanças da última década. Com o aumento de vagas nas universidades particulares, surgiram questões como combate ao aumento das mensalidades e luta por condições do estudante concluir seus estudos.

“O número de estudantes aumentou, mas a maioria dos estudantes hoje são de universidades particulares, trabalham e tem dificuldades para se manter na universidade. A luta é pela ampliação das vagas e pela permanência, além de discutir as grandes questões da sociedade”, define o presidente da União Catarinense dos Estudantes (UCE), Thiago Andrino.

Para Andrino, o maior desafio do movimento é “trazer para a universidade um pouco de participação”. Para isso, uma das estratégia do movimento estudantil é investir em causas com resultados mais imediatos, como por exemplo, a luta pelo transporte coletivo.

“O jovem tem dificuldade de construir objetivos a longo prazo. Mas se perceberem que podem conseguir o passe livre para amanhã, eles vão para a rua amanhã. E assim ele se conscientiza e participa de um debate maior, que envolve o papel do estado”, explica Thiago Andrino, citando a relação dos estudantes com o Movimento Passe Livre.

Apesar de hoje ser professor do Departamento de Economia da UFSC, Nildo Ouriques também tem um passado de envolvimento com o movimento estudantil da Universidade. Ele foi fundador e primeiro presidente do Centro Acadêmico Livre de Economia da UFSC, em 1981, e presidente do Diretório Central dos Estudantes entre julho de 1981 e julho de 1982.

Comparando com o passado, Ouriques não poupa críticas ao momento atual do movimento estudantil. “A luta hoje começa por questões políticas muito distantes dos estudantes. Antigamente, os estudantes começavam por questões menores”, afirma o professor. "Os estudante precisam lutar contra as carências imediatas, começar por aquilo que mais afeta a vida estudantil".

Em sua opinião, também faltam reivindicações por mais verba na educação. Durante a gestão de Ouriques, o DCE organizou uma greve que reivindicava financiamento adequado aos novos cursos que surgiam na UFSC.

19 de jun. de 2007

Falta maior participação, dizem militantes

As divergências são apenas um dos problemas do movimento estudantil nos dias atuais. A dificuldade para envolver os jovens na política é uma questão que o próprio presidente da UCE (União Catarinense dos Estudantes), Thiago Andrino, admite.

"O perfil dos estudantes era outro. Além da maioria ser de universidades públicas, se dedicavam a universidade de maneira exclusiva. [Na ditadura], era mais fácil aglutinar as pessoas", justifica Andrino. O estudante também afirma que hoje o movimento “tem dificuldade para trazer a elite para discussões sociais”.

Para o professor Nildo Ouriques, que foi presidente do Diretório Central dos Estudante da UFSC (DCE), as entidades de hoje “tem um déficit gigantesco de legitimidade”. Mas nega que os jovens de hoje sejam mais individualistas.

“Nem acredito mais na luta do movimento estudantil. O movimento que está aí é um movimento que tenta e faz, mas é precário. E se não reconhecemos isso, não saímos do buraco”, disse Ouriques.

O presidente do DCE da UFSC, Gustavo Chraim também concorda que nem sempre o movimento estudantil tem a base necessária, mas defende o momento atual. “O movimento estudantil hoje está muito mais articulado que na época da ditadura, já que na época não se podia nem falar da UNE. Hoje é bem mais fácil organizar o movimento”, afirma. Chraim também cita que o último congresso da UNE reuniu mais de 15 mil participantes.

Movimento dividido


Pelos dados de 2004 do Ministério da Educação, existem no Brasil cerca de 60 milhões de estudantes, somando-se ensino básico e superior. A defesa do interesse dessa parcela da população é, em tese, conduzida pelo movimento estudantil, representado por todas as organizações que o integram. Suas principal entidade - a UNE (União Nacional dos Estudantes) e Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) - orgulham-se de sua atuação nas discussões da sociedade ao longo de seus quase 70 anos de existência. Entre esses momentos, a resistência aos regimes militares e a mobilização dos estudantes pelo impeachment do presidente Collor.

Mas os próprios militantes reconhecem que o movimento estudantil mudou. A maior parte de suas lideranças tem dificuldades para envolver um número representativo de estudantes. E hoje também não faltam críticas quanto à atuação e participação do movimento.

Nesta reportagem, o Nossa Educação ouviu militantes que estão ou que passaram pelo movimento estudantil. Na entrevistas, falam sobre os problemas, as mudanças e as novas lutas das entidades discentes.

Desunião nacional

Durante a crise política do mensalão, em agosto no ano passado, o movimento estudantil deu sinais de que ainda está ativo. Mas as manifestações também evidenciaram que está dividido. No primeiro dia, a UNE participou de um ato contra corrupção, mas que apoiava o presidente Lula. No dia seguinte, outros estudantes ligados ao Conlute (Coordenação Nacional de Lutas dos Estudantes) participaram de ato também contra a corrupção, mas criticavam o governo Lula.

O apoio da UNE ao governo Lula foi apenas um dos motivos que levaram estudantes dissidentes a criar a Conlute em 2004. A criação, por exemplo, ocorreu durante um “Encontro Nacional Contra a Reforma Universitária”, tema que a UNE mais apóia do que contesta. Segundo o militante da Conlute Rafael Góes, hoje a coordenação reúne todas as entidades estudantis que não se sentem representadas pela UNE. Além de não apoiarem nenhum candidato e serem contra a Reforma Universitária, a Conlute também é contra a “burocratização” na UNE e faz parte da Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas), que reúne organizações de oposição ao governo Lula.

Apesar de se colocar como uma alternativa à UNE, o Conlute ainda não se considera uma entidade. Seu colegiado nacional foi eleito durante o Encontro Nacional de Estudantes em maio de 2006 e ainda não possui lideranças estaduais.

17 de jun. de 2007

Especial movimento estudantil

Estudantes ocupam reitoria da UFES: lado a
lado reinvidiações , sarcasmo e álcool.
(foto: midiaindependente.org)


Primeiro
foi na USP. No dia 3 de maio, estudantes ocuparam a reitoria da Universidade para protestar contra medidas do governo paulista que consideravam ferir a autonomia universitária e reivindicar melhor infra-estrutura. Em junho, estudantes de Florianópolis saíram às ruas para protestar contra o aumento das passagens de ônibus. Entre os dias 14 e 16 de junho, foram mais quatro reitorias invadidas: UFES, UFPA, UFBA e UFRJ. Todas por estudantes.

A reunião desses episódios mostra como o movimento estudantil ainda possui articulação no Brasil. Fato que dispensa o saudosismo dos tempos da ditadura e das “Diretas Já”, momentos sociais em que os estudantes tiveram importante participação. Os tempos, no entanto, são outros. E o movimento estudantil também evidencia seu novo perfil.

Para compreender melhor a nova configuração e os desafios desse ente político-social, o Nossa Educação traz uma reportagem especial sobre o movimento estudantil nos tempos atuais. Produzida inicialmente para o site Universidade Aberta, a matéria não chegou a ir para o ar para evitar problemas jurídicos, uma vez que um dos entrevistados candidatara-se para as eleições no ano passado.

A reportagem, dividida em três partes, começa a ser publicada nesta segunda, 18.